Trabalhar no Exterior – Como ela fez

Viajar é a palavra que melhor me define. Para por o pé na estrada não tem o que eu não faça: em algum momento ou outro já fui professora, tradutora, guia de turismo, bartender, agente de viagens, barista, gerente de eventos, blogueira, hostess, recrutadora, gerente de vendas, treinadora e palestrante. Se pedir com jeitinho, faço até massagem.

Desisti da faculdade de Letras para executar o sonho de morar em Londres, visto que já na minha primeira semana por lá percebi que um “intercâmbio” de 6 meses não seria o suficiente. E assim a experiência acabou durando quatro anos, em um piscar de olhos.

Acabei me formando em Turismo na Austrália, uma escolha natural após minhas andanças pelos 30 e poucos países que conheci.

Hoje no Brasil consigo conciliar na vida profissional todas as minhas paixões: dou aula de inglês, presto assessoria a estrangeiros, traduzo e mantenho alguns blogs.

neve

 

PERGUNTAS FREQUENTES

– Por que você decidiu morar na Inglaterra?

No começo era só um sonho, “morar em algum lugar”. A ideia surgiu quando comecei a estudar Inglês (tinha 11 anos). Na época eu já ouvia muita música dos Beatles em casa, o que despertou um fascínio pelo Reino Unido. Ouvia em casa os álbuns do John & Cia e as fitas do curso de inglês da BBC da minha mãe.

Na adolescência, todas as colegas iam para a Disney ou fazer intercâmbio em casa de família nos EUA, mas na minha casa a grana nunca dava para esse tipo de programa.

Quando cresci um pouquinho, tudo que me falavam de oportunidades de intercâmbio eu fuxicava. Sobrava vontade, faltava grana. Eu queria dar um jeito de viajar e trabalhar, para depois de onde estivesse eu realizasse aquele meu sonho de ir para Londres.

Já cogitei trabalhar em Summer Camp nos EUA, um primo quase me convenceu a me converter e ir morar em um kibutz. Pesquisei sobre programas de Au Pair, bolsas de estudo, voluntariado.

Eu já passava dos 20 quando comecei a pensar a sério e, principalmente, guardar dinheiro a sério. Quando deu, não pensei duas vezes: meu negócio era ir conhecer a terra dos Beatles e explorar aquele continente maravilhoso.

– O que você fez lá? Deu pra guardar dinheiro?

Dos 4,5 anos que fiquei por lá, 3 estudei inglês pra cacete. Mesmo já tendo uma boa base no Brasil, decidi me encarnar para voltar para casa com uma profissão, pois já estava em dúvida se algum dia voltaria para a faculdade de Letras. Encerrei meus estudos passando no teste de Cambridge (CAE, o equivalente britânico ao TOEFL).

Estudava todos os dias, além de trabalhar bastante. Comecei trabalhando em um café, depois fui recepcionista, garçonete, gerente de eventos, trabalhei em pub.

Guardei uma grana mas também esbanjei um pouco, pois meu objetivo sempre foi de explorar bastante o Reino Unido e a Europa. Conheci a Irlanda, Escócia, País de Gales, Holanda, Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, França, Áustria, Hungria, Rep. Checa, Eslovênia, Polônia, Croácia, Grécia.

– Por que veio embora?

Sinceramente, cansei da história de tirar visto, de me sentir menos, de me sentir devendo explicações.  Para mim, nunca cogitei ficar por lá ilegalmente, então chegou uma hora que não tinha mais como alegar estudos.

A complicação romântica foi que conheci o cara que resolveu vir comigo para o Brasil, o australiano que alguns anos mais tarde virou meu marido – estamos juntos há 8 anos.

– Fala mais desse relacionamento aí!

Nos conhecemos na Grécia, depois namoramos em Londres. Fizemos um plano de dois anos: um ano no Brasil, um na Austrália, depois decidiríamos. Acabamos optando por ficar mais tempo na Austrália (foram 4 anos e pouco) e voltamos para o Brasil em outubro de 2013.

– E que tal a Austrália?

É o país mais limpo e organizado que eu conheço. As coisas funcionam, as pessoas trabalham duro mas conseguem colher os frutos de seus esforços. A natureza é linda, fiz muitas viagens maravilhosas dentro e fora da Austrália, tive a chance de ir além dos pontos turísticos mais óbvios e desbravar enseadas, montanhas e rios pouco vistos na imprensa internacional.  Pisei pela primeira vez nas ilhas do Pacífico, fui muitas vezes à Asia, uma nova paixão.  As pessoas em geral são educadas, prestativas e interessadas em aprender com o mundo e as pessoas ao seu redor.  Melbourne é minha casa com sua cultura, ciclovias, badalação e, claro, cafés.

– Mas O QUÊ vocês estão fazendo aqui??? (cara de indignação/nojo/pena/incredulidade)

No começo eu ficava chateada quando me perguntavam isso, achava simplesmente falta de respeito. Com o tempo fui me dando conta que muitos brasileiros tem a síndrome da “grama do vizinho é mais verde” e acreditam que ir trabalhar no exterior é a solução de todos seus problemas.

Eu não sei qual o país melhor, pois onde quer que eu esteja, sinto falta do local onde não estou. Vou ser sempre um estrangeiro, hoje sou uma estrangeira em minha terra natal. Já me acostumei com isso e hoje em dia pra mim a graça está em aprender a me adaptar a lugares, em regressar, matar saudades, fazer as malas novamente e repetir a operação.

O Brasil também tem prazo de validade pra mim, daqui a pouco me mando de novo pra Austrália ou para o vento levar. Casei-me com alguém totalmente compatível com este estilo de vida, a quem não tenho medo de convidar para embarcar nas ideias mais malucas.

Também me acostumei a ouvir a pergunta se eu vim “para sempre”, se eu vou “para sempre”. Esta pergunta eu vou deixar sem resposta (porque eu não sei). Acho que esta palavra me causa até um misto de medo/aflição.

A graça não é escolher, o meu prazer é girar o globo e pensar na próxima aventura. No momento cogito viver sem endereço – coisa que já fiz algumas vezes mas por no máximo 3 meses. Minha ambição é de passar um ano (ou mais) mochilando. Por enquanto só estou sonhando alto, quando a coisa começar a ficar séria eu te conto.

O que me traz serenidade é a certeza de que este não foi meu último retorno ao Brasil, e que ainda haverão muitos capítulos a cumprir nessa minha vida nômade.

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